9.11.06

Mesa redonda em Serralves

Tinha 18 anos.
Os anos oitenta foram uma revelação e uma grande decepção. Queria mais.
Mas agora percebo que foram um desperdício. Ou seja, que podia e devia ter feito mais.
Nesta mesa redonda houve uma coisa que valeu a pena ouvir.
Lá fora só existe quando nos colocamos de fora. Ou cá dentro.
Hoje vivemos em movimento, fora e dentro. Somos pontes de informação em movimento. Nesta dinâmica, está a criatividade e a transformação permanente. E o stress ( tenho pena de ainda não conseguir gerir isso)

Em oitenta e três entrei nas Belas Artes. 21 anos.
Imaginei que ia entrar num mundo cheio de oportunidades.
Mas ambicionava viajar, conhecer o que existia "lá fora". " E lá fora estava pouco mais que a minha insatisfação. Só muito mais tarde descobri que estava tudo "cá dentro" e tudo o que eu procurava de novo depressa se esgotava. Reconheço que foram anos muito importantes pela curiosidade, pela aventura e "joie de vivre", pelas tertúlias há noite na escola e pelos golinhos de absinto no atelier do segundo andar.
As viagens à Arco em Madrid, o Centro George Pompidou, a Bienal de Veneza e todos os Museus onde o inter rail me pudesse levar eram uma conquista.
Era tudo fantástico e muito inspirador. Curiosamente era mais influenciada pelo o que via de novo, para o vitrinismo( que já fazia nessa altura ), que para a pintura. Como uma moda. As instalações eram muito cenográficas e isso era muito familiar.
Na pintura encantava-me com universos muito particulares, inimitáveis, intimos, como Balthus ou Paula Rego ou a escultura de Anhis Kapoor, que é enigma e que parece sugar parte de nós.
A mesa redonda não trouxe muito de novo, mas trouxe muito de "velho" à memória e só por isso já valeu a pena.

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